Greenwashing vs. Greenhushing: A Importância de uma Comunicação Clara e Responsável

As empresas comunicam com diferentes partes interessadas, adaptando mensagens para diferentes objetivos: desde mensagens aspiracionais que refletem a visão de futuro, até estratégias de vendas ou iniciativas de envolvimento comunitário. A comunicação varia conforme o público-alvo, seja para inspirar, atrair consumidores, envolver a comunidade ou alinhar partes interessadas internas. Com a sustentabilidade a tornar-se um tema “sexy” e atrativo, muitas organizações estão a integrar os seus objetivos de longo prazo, conquistas e aspirações em comunicações direcionadas a clientes e investidores, com o intuito de influenciar decisões, como investimentos e aquisições.

No entanto, o problema surge quando essas mensagens, assumidas como verdades pelas partes interessadas, são apenas parcialmente verdadeiras, distorcidas ou carecem de elementos verificáveis. Quando decisões são tomadas com base em informações falsas ou enganosas, as empresas entram no perigoso território do greenwashing.

 

O que é Greenwashing?

O greenwashing ocorre quando uma empresa comunica mensagens ou informações sobre sustentabilidade que são enganosas, exageradas ou falsas, com o objetivo de parecer mais sustentável do que realmente é. Isto inclui declarações de impacto ambiental ou social que não podem ser verificadas, que omitem informações críticas ou que levam consumidores, investidores ou outros partes interessadas a tomar decisões baseadas em perceções incorretas.

Na União Europeia, o greenwashing é regulado por diversas normas e iniciativas legais. Em particular, o Regulamento (UE) 2019/2088, conhecido como Sustainable Finance Disclosure Regulation (SFDR), estabelece requisitos para que as empresas financeiras comuniquem de forma transparente os seus compromissos ESG. Além disso, a Diretiva de Práticas Comerciais Desleais (Directive 2005/29/EC) reforça a proibição de práticas comerciais enganosas, incluindo alegações ambientais falsas ou não verificáveis. Recentemente, a UE lançou iniciativas para garantir que as alegações ambientais apresentadas nas embalagens ou comunicações de marketing sejam suportadas por dados concretos e auditáveis.

 

O que é Greenhushing?

Por outro lado, o greenhushing representa uma abordagem mais cautelosa. Algumas empresas, temendo o fracasso ou a exposição ao escrutínio público, optam por ocultar ou minimizar a comunicação das suas iniciativas de sustentabilidade até que obtenham resultados concretos. Neste caso, as empresas preferem esperar até que tenham provas inquestionáveis antes de partilhar informações sobre os seus esforços. Embora esta abordagem possa parecer segura, pode levar à falta de transparência e dificultar a construção de confiança com partes interessadas.

O greenhushing também priva os consumidores e investidores de informações que poderiam ser importantes para decisões de compra ou investimento. Esta falta de comunicação pode dar a percepção de que a empresa está inativa em sustentabilidade, mesmo quando realiza esforços significativos.

 

Greenwashing e a Verificação dos Factos

O principal problema do greenwashing ocorre quando mensagens sobre sustentabilidade são comunicadas como verdades absolutas, sem fornecer aos consumidores ou partes interessadas as direções necessárias para verificar os factos. Se os consumidores são levados a acreditar que um produto, serviço ou empresa é mais sustentável do que realmente é, com base em informações parciais ou enganosas, estão a ser induzidos em erro. Isso não só prejudica a confiança, mas também pode ter consequências legais, dado o aumento da regulamentação em torno de alegações ambientais.

O que muitas vezes acontece é que empresas, ao tentarem transmitir mensagens aspiracionais, caem involuntariamente no greenwashing, especialmente quando não fornecem elementos concretos e verificáveis para suportar as suas declarações. Por exemplo, ao comunicar uma meta ambiciosa, como “tornar-se neutro em carbono até 2030”, é essencial incluir detalhes verificáveis, como planos de ação concretos, metodologias de medição e relatórios periódicos sobre o progresso.

 

Uma Estratégia Clara e Responsável

Para evitar cair em práticas de greenwashing ou greenhushing, as empresas precisam de uma estratégia de comunicação robusta e responsável. Esta estratégia deve assegurar que todas as mensagens relacionadas com sustentabilidade sejam claras, precisas e verificáveis. Objetivos aspiracionais de longo prazo são importantes, mas devem ser acompanhados por planos concretos e transparentes, permitindo que os partes interessadas acompanhem o progresso.

A comunicação também deve ser balanceada: não exagerar conquistas ou prometer resultados irrealistas (para evitar greenwashing), mas também não omitir os esforços em curso (para evitar greenhushing). Transparência e responsabilidade são a chave para construir confiança e credibilidade numa era onde os consumidores e investidores estão cada vez mais atentos ao impacto ambiental e social das empresas.

Dados e Transparência 

Para evitar cair em práticas de greenwashing ou greenhushing, as empresas precisam de uma estratégia de comunicação robusta e responsável. Esta estratégia deve assegurar que todas as mensagens relacionadas com sustentabilidade sejam claras, precisas e verificáveis. Objetivos aspiracionais de longo prazo são importantes, mas devem ser acompanhados por planos concretos e transparentes, permitindo que os partes interessadas acompanhem o progresso.

Para que qualquer afirmação em torno da sustentabilidade tenha credibilidade, é fundamental que as empresas recolham, monitorizem e organizem dados sólidos e verificáveis. A capacidade de sustentar as declarações com evidência factual é o que distingue uma comunicação responsável de uma prática enganosa. Sem dados fiáveis, até os compromissos mais bem-intencionados podem ser postos em causa.

Além da monitorização interna, é essencial simplificar a recolha e tratamento de dados ao longo de toda a cadeia de valor. As emissões indiretas, o consumo de recursos por fornecedores e os impactos logísticos fazem parte do perfil de sustentabilidade. Automatizar e padronizar estes processos permite consistência, transparência e alinhamento com as normas em vigor.

Finalmente, recolher dados não é suficiente — é necessário comunicá-los de forma clara, adaptada e relevante a cada público. Investidores procuram evidência de mitigação de risco; consumidores valorizam práticas responsáveis; reguladores exigem conformidade. Ao comunicar de forma transparente e estratégica, as empresas constroem confiança e posicionam-se como líderes num mercado cada vez mais atento à sustentabilidade.

 

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Compreender os gases com efeito de estufa e a pegada de carbono

pegada de carbonoCompreender os gases com efeito de estufa e a pegada de carbono

Os gases com efeito de estufa (GEE) são a mão invisível por detrás do “efeito de estufa” natural da Terra, um processo que retém o calor do sol e mantém o nosso planeta confortavelmente quente. Sem estes gases, que incluem o dióxido de carbono (CO₂), o metano (CH₄), o óxido nitroso (N₂O) e os compostos fluorados, as temperaturas médias desceriam para níveis incapazes de suportar a rica tapeçaria de vida que vemos atualmente. No entanto, ao longo dos últimos séculos, as actividades humanas, como a queima de carvão, petróleo e gás, o abate de florestas e a intensificação das práticas agrícolas, fizeram com que as concentrações atmosféricas destes gases ultrapassassem largamente os níveis pré-industriais. O resultado é um aumento do efeito de estufa, que está a aquecer o planeta a um ritmo sem precedentes e a criar os desafios climáticos que enfrentamos atualmente.

Quando falamos da nossa pegada de carbono, estamos a referir-nos ao volume total de gases com efeito de estufa produzidos, direta e indiretamente, pelas nossas acções – quer seja o combustível queimado pelos veículos da empresa na tua frota, a eletricidade que alimenta a tua fábrica ou as emissões incorporadas dos materiais que compras. Expressa em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), a pegada de carbono oferece uma forma clara e quantitativa de compreender e, eventualmente, reduzir a nossa contribuição para o aquecimento global.

Para pôr ordem na complexa rede de fontes de emissões, o Protocolo de Gases com Efeito de Estufa – amplamente considerado como o padrão de ouro na contabilidade empresarial – divide as emissões em três “âmbitos”. O Âmbito 1 abrange todas as emissões diretas das operações de que és proprietário ou que controlas, tais como a combustão de combustível no local, carros da empresa e fugas de refrigeração. O âmbito 2 capta as emissões indirectas da produção de eletricidade comprada, vapor, aquecimento ou arrefecimento que consomes. Finalmente, o Âmbito 3 engloba o vasto universo de outras emissões indirectas – aquelas que são uma consequência das tuas actividades mas que ocorrem em fontes que não deténs nem controlas diretamente.

O âmbito 3 é de longe a categoria mais complexa e frequentemente a maior, representando em muitos casos mais de 70% da pegada total de uma empresa. Estende-se tanto a montante como a jusante na sua cadeia de valor. As emissões a montante têm origem na produção dos bens e serviços que adquires – tudo, desde a extração de matérias-primas e o fabrico dos teus insumos até ao transporte que os faz chegar às tuas portas. As emissões a jusante surgem assim que os teus produtos saem da fábrica; incluem a energia que os teus clientes consomem quando utilizam os teus bens, as emissões incorporadas na distribuição para os pontos de venda a retalho e até o carbono libertado no fim da vida útil quando os produtos são desmantelados ou reciclados. Essencialmente, o Âmbito 3 exige que as empresas olhem para além da linha de vedação, rastreando cada tonelada de aço e cada quilowatt-hora de eletricidade ao longo da cadeia de abastecimento e até à utilização e eliminação do produto.

Por que razão devem as empresas despender o tempo e os recursos consideráveis necessários para medir as emissões de âmbito 3? Em primeiro lugar, revela os verdadeiros pontos críticos da tua pegada – aqueles processos ocultos, a montante, onde pode estar a maior parte das tuas emissões incorporadas. Com esta informação, podes direcionar as intervenções de grande impacto, quer isso signifique redesenhar os produtos de modo a exigir materiais com menor intensidade de carbono, negociar com os fornecedores a mudança para energia renovável ou inovar novos modelos de negócio, como o produto como serviço. Em segundo lugar, à medida que os governos de todo o mundo reforçam os regulamentos climáticos e os investidores exigem total transparência na cadeia de valor, os dados robustos do âmbito 3 tornam-se essenciais tanto para a conformidade como para manter a confiança das partes interessadas. As empresas com objectivos credíveis e baseados na ciência, apoiados por uma contabilidade exaustiva, têm mais probabilidades de ganhar contratos de aquisição ecológicos, assegurar financiamento sustentável e construir reputações de marca duradouras. Por fim, a otimização da cadeia de abastecimento e as melhorias de eficiência andam muitas vezes de mãos dadas: a redução de resíduos, a racionalização da logística e a melhoria do rendimento dos materiais podem reduzir as emissões e os custos operacionais em simultâneo.

No centro do Âmbito 3 está a cadeia de fornecimento. Cada nível de fornecedores – desde os teus fornecedores diretos de nível 1 até aos extractores de matérias-primas – contribui com emissões incorporadas para os teus bens e serviços adquiridos. Mapear esta rede e recolher dados primários dos parceiros de nível 1 e 2 permite-te envolver os fornecedores nos esforços de descarbonização, definir políticas de aquisição com baixo teor de carbono e co-inovar soluções sustentáveis. Quer se trate de adquirir materiais reciclados, apoiar os agricultores na adoção da agricultura regenerativa ou ajudar os fabricantes na transição para fornos eléctricos, a tua estratégia de cadeia de fornecimento é a alavanca que puxa as emissões a montante para baixo.

Para além do carbono, a água é outro recurso crítico cuja utilização – e escassez – acarreta riscos ambientais e empresariais. Muitas organizações calculam atualmente uma pegada hídrica, quantificando a água doce retirada e consumida nas suas operações e cadeias de abastecimento. A utilização direta de água no local pode envolver sistemas de refrigeração, saneamento ou irrigação, enquanto a utilização indireta de água abrange as culturas, a energia e os materiais de que os teus fornecedores dependem. Ao analisar a água juntamente com as emissões de gases com efeito de estufa, as empresas podem identificar pontos críticos sobrepostos – talvez irrigação intensiva na cultura do algodão ou centrais eléctricas arrefecidas a água – e conceber intervenções integradas que reduzam a intensidade do carbono e da água.

Compreendemos que enfrentar estes desafios complexos pode parecer assustador. É por isso que te oferecemos uma sessão de consultoria gratuita e sem compromisso com a nossa equipa de especialistas em sustentabilidade. Nesta sessão, faremos uma análise preliminar das lacunas dos teus relatórios actuais sobre emissões e utilização de água, identificaremos os teus três principais pontos críticos e delinearemos estratégias acionáveis para envolver os fornecedores, otimizar as operações e definir objectivos robustos e baseados na ciência. Juntos, traçaremos um caminho pragmático para emissões líquidas zero e operações resilientes e eficientes em termos de recursos.

O impacto das tarifas e da guerra comercial na sustentabilidade

A sustentabilidade empresarial está diretamente ligada a cadeias de abastecimento globais, acesso a matérias-primas e custos operacionais. Neste contexto, as tarifas aduaneiras e as guerras comerciais podem representar um desafio significativo para as empresas que tentam implementar práticas sustentáveis. Abaixo, analisamos três formas principais como estas disputas podem afetar a sustentabilidade empresarial e ambiental.

 

Contentores com bandeiras de vários países

Aumento dos Custos de Produção e Menos Investimento Sustentável

Os Estados Unidos estão a introduzir novas tarifas sobre matérias-primas e serviços, particularmente em setores estratégicos como energia, tecnologia e metais raros. Sob a legislação da Organização Mundial do Comércio (OMC), os países afetados por estas medidas têm o direito de aplicar tarifas retaliatórias do mesmo nível, intensificando as tensões comerciais globais. Embora estas tarifas possam reduzir o consumo de bens importados e aumentar a receita fiscal, também criam um efeito colateral preocupante: desviam fundos e capital de investimentos verdes, tornando mais difícil para empresas e governos financiarem projetos de sustentabilidade, como a transição energética e a inovação ambiental.

Ao suportarem tarifas elevadas sobre bens importados, as empresas enfrentam custos adicionais para adquirir matérias-primas e componentes essenciais. Como resultado:

  • menos recursos disponíveis para investir em práticas sustentáveis, como eficiência energética e economia circular.
  • O custo de produtos sustentáveis pode aumentar, tornando-os menos competitivos em comparação com alternativas mais baratas e menos ecológicas.
  • Pequenas e médias empresas (PME) podem ter dificuldade em financiar a transição para cadeias de abastecimento sustentáveis, devido ao aumento da carga fiscal sobre importações.

Por exemplo, uma empresa que pretende utilizar painéis solares importados para reduzir sua pegada de carbono pode enfrentar tarifas adicionais, tornando o investimento menos viável financeiramente.

Disrupção nas Cadeias de Abastecimento e Maior Pegada de Carbono

As guerras comerciais frequentemente levam à realocação das cadeias de produção, gerando impactos ambientais negativos. Empresas que anteriormente obtinham matérias-primas ou componentes de mercados próximos podem ser forçadas a recorrer a fornecedores mais distantes, o que aumenta as emissões de carbono devido ao transporte.

Além disso, as restrições ao comércio global podem incentivar a produção em países com regulamentação ambiental mais fraca, resultando em práticas menos sustentáveis. Algumas empresas, por sua vez, podem optar por produzir internamente bens que antes importavam, mas com menor eficiência energética e maiores impactos ambientais.

Um exemplo claro ocorreu durante a guerra comercial entre os EUA e a China, quando muitas empresas norte-americanas passaram a obter metais raros de fornecedores alternativos, aumentando significativamente os custos e as emissões associadas ao transporte.

Dificuldade no Acesso a Tecnologia e Inovação Sustentável

Muitas inovações sustentáveis dependem da colaboração global e do acesso a tecnologia, mas as barreiras comerciais podem dificultar esse processo. Empresas perdem a oportunidade de utilizar tecnologias verdes inovadoras que poderiam contribuir para a redução de emissões e a melhoria da eficiência energética.

Além disso, projetos internacionais de pesquisa e desenvolvimento (I&D) em sustentabilidade podem ser comprometidos devido à falta de acesso a componentes essenciais ou a restrições na exportação de conhecimento técnico. A instabilidade causada pelas guerras comerciais também pode levar as empresas a adiar investimentos em inovação, priorizando a gestão de riscos e custos.

Um exemplo claro é o setor de baterias para veículos elétricos, onde as dificuldades na obtenção de metais raros, causadas por barreiras comerciais, atrasam o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis.

Como Minimizar o Impacto?

Para evitar que as tarifas aduaneiras e as guerras comerciais comprometam a sustentabilidade, as empresas podem adotar diversas estratégias. A diversificação da cadeia de fornecimento, por exemplo, permite reduzir a dependência de um único país ao procurar fornecedores sustentáveis em diferentes regiões.

O investimento em produção local sustentável também se revela uma alternativa eficaz, criando soluções regionais com baixa pegada de carbono e certificações ambientais. Além disso, estabelecer parcerias estratégicas com governos e entidades internacionais pode minimizar barreiras e promover um comércio mais sustentável.

A eficiência operacional, por sua vez, é essencial para reduzir desperdícios e otimizar processos, compensando assim os custos adicionais gerados pelas tarifas. No final, embora as tarifas aduaneiras e as disputas comerciais possam representar desafios à sustentabilidade, elas também podem impulsionar a inovação e fomentar novos modelos empresariais mais resilientes e sustentáveis.

A economia circular surge como uma solução essencial para mitigar os impactos das tarifas aduaneiras e das guerras comerciais, ao promover a otimização de processos e a reutilização de recursos. Em vez de depender exclusivamente da extração de novas matérias-primas, as empresas podem adotar estratégias como reciclagem de materiais, reaproveitamento de resíduos industriais e extensão do ciclo de vida dos produtos. Estas práticas não só reduzem custos e a dependência de fornecedores externos, como também minimizam a pegada ambiental da produção. A implementação de processos mais eficientes permite que as empresas façam mais com menos, tornando-se mais competitivas num mercado global instável.

Além disso, a criação de redes locais de fornecedores desempenha um papel fundamental na transição para uma economia circular e na resiliência empresarial. Ao fortalecer cadeias de abastecimento locais, as empresas reduzem a vulnerabilidade a flutuações cambiais, atrasos logísticos e barreiras comerciais. Essa abordagem estimula também a inovação regional, impulsiona a economia local e reduz as emissões associadas ao transporte de mercadorias. Estabelecer parcerias estratégicas com fornecedores próximos pode garantir maior estabilidade, previsibilidade de custos e conformidade com padrões ambientais, transformando desafios comerciais em oportunidades sustentáveis.

Quer financiamento mais barato? Torne-se verde!

A atração de investidores internacionais é um dos principais desafios e oportunidades para as empresas que procuram crescer e expandir a sua presença no mercado global. No processo de identificação de oportunidades de investimento, os investidores procuram maximizar o retorno e reduzir o risco, garantindo que o capital é aplicado em negócios sustentáveis e resilientes a longo prazo.

Para tal, é essencial que as empresas forneçam informação clara, transparente e padronizada sobre os seus impactos ambientais, sociais e de governança (ESG). A regulamentação europeia, nomeadamente a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive), desempenha um papel fundamental nesta transformação ao impor regras de reporte detalhadas e comparáveis, ajudando investidores a tomar decisões informadas.

Homem com gráfico de barras verde

O Processo de Avaliação de Risco pelos Investidores

Diferentes instrumentos de investimento têm níveis de risco distintos, e um investidor ou entidade bancária não empresta capital sem garantias. Estas podem ser colaterais financeiros, seguros de crédito ou avaliações detalhadas sobre a viabilidade da empresa.

Para determinar a viabilidade de um investimento, os investidores avaliam vários tipos de riscos associados a uma empresa:

Riscos de Imagem – A reputação corporativa tem um impacto significativo no valor de mercado. Empresas envolvidas em escândalos ambientais ou sociais enfrentam boicotes de consumidores, desvalorização das ações e perda de acesso a financiamento.

Riscos Operacionais – Custos crescentes de matérias-primas, energia e transportes podem comprometer a rentabilidade de uma empresa. A eficiência na gestão de recursos é crucial para garantir estabilidade financeira.

Riscos de Capital – Empresas com passivos elevados e baixa capacidade de financiamento enfrentam dificuldades em aceder a novos créditos. Investidores avaliam a sustentabilidade financeira e a capacidade de geração de caixa antes de tomarem decisões.

Riscos de Pessoal – Rotatividade elevada, más condições de trabalho ou falta de diversidade podem impactar a produtividade e o compromisso dos colaboradores, afetando diretamente a competitividade e o desempenho empresarial.

As Três Componentes-Chave da Regulamentação Europeia

A União Europeia criou um quadro regulatório robusto para garantir que os mercados financeiros e as empresas adotam práticas sustentáveis. Este quadro assenta em três pilares fundamentais:

  • Taxonomia Europeia – Define critérios claros para identificar atividades económicas sustentáveis. O objetivo é direcionar os investimentos para projetos e empresas alinhadas com as metas climáticas e ambientais da UE.
  • Diretivas de Reporte (SFDR e CSRD) – A SFDR (Sustainable Finance Disclosure Regulation) direcionada para empresas financeiras, obriga os investidores a divulgar o impacto ESG dos seus investimentos e o Green Asset Ratio (GAR). Já a CSRD exige que as empresas não financeiras forneçam relatórios detalhados sobre a sua o quanto estão as suas actividades alinhadas com sustentabilidade, garantindo maior transparência.
  • CSDDD (Corporate Sustainability Due Diligence Directive) – Obriga as grandes empresas a avaliar e mitigar os impactos ESG na sua cadeia de valor, assegurando que fornecedores e parceiros cumprem padrões ambientais e sociais elevados.

Transparência: A Nova Vantagem Competitiva

Com a identificação dos Impactos, Riscos e Oportunidades (IRO), a definição de uma estratégia de sustentabilidade e a recolha sistemática de dados, as empresas passam a ter maior transparência sobre as suas atividades. Este fator é essencial para inspirar confiança junto dos investidores e entidades bancárias, demonstrando compromisso com práticas empresariais responsáveis e sustentáveis.

A regulamentação europeia não impõe apenas obrigações – ela fornece ferramentas e critérios para os investidores tomarem decisões informadas. Empresas que adotam a transparência como princípio estratégico destacam-se no mercado e tornam-se mais atrativas para o capital internacional.

Um exemplo prático de custos de capital

Uma empresa que pretende contrair um empréstimo de 2 milhões de euros para construir uma nova fábrica na Europa enfrenta custos significativos de capital. Considerando uma taxa de juro média de 4,5% para empréstimos empresariais a 15 anos, o custo total dos juros ao longo do período seria de aproximadamente 1.350.000 euros, resultando num custo total do empréstimo de 3.350.000 euros.

Como alternativa, a empresa pode considerar a contratação de um empréstimo verde, que geralmente oferece condições financeiras mais vantajosas para projetos sustentáveis. Optando por um empréstimo verde com uma taxa de juro de 2,5% para o mesmo período de 15 anos, o custo total dos juros seria de aproximadamente 750.000 euros, resultando num custo total do empréstimo de 2.750.000 euros.

Ao poder ter acesso a um empréstimo verde, a empresa economizaria 600.000 euros em custos de capital. Além da redução financeira direta, a empresa beneficiaria de uma imagem corporativa mais sustentável, tornando-se mais atrativa para investidores e clientes que valorizam práticas ambientais responsáveis.

Menos Risco, Mais Investimento

Quando uma empresa identifica os seus riscos e implementa estratégias para os reduzir ou mitigar, os investidores percebem essa diminuição da incerteza. Isto traduz-se em custos de capital mais baixos e maior disponibilidade de investimento, uma vez que o risco percebido pelos financiadores é menor.

Pode parecer um processo burocrático e complexo, mas, grão a grão, a transparência na sustentabilidade transforma-se num fator de atração de investimento. O que antes era apenas uma obrigação legal passa a ser um elemento estratégico para o crescimento empresarial.

As finanças sustentáveis são um caminho sem retorno, e as empresas que adotarem a CSRD e outras diretivas europeias como uma oportunidade terão acesso a um mercado de capitais mais favorável, com menor custo de financiamento e maior atratividade para investidores internacionais.

A sustentabilidade já não é apenas uma exigência regulatória – é uma vantagem competitiva essencial para o futuro dos negócios.

O que é o VSME ESRS e como pode ajudar a sua empresa?

O VSME ESRS (Voluntary Sustainabilito que é o vsme esrs e como pode ajudar a sua empresay Reporting Standards for SMEs), desenvolvido pela EFRAG (European Financial Reporting Advisory Group), é um modelo voluntário de reporte de sustentabilidade concebido especificamente para pequenas e médias empresas (PMEs) e apesar de não ser obrigatório é um bom exercício de preparação para regulamentações futuras

Este padrão oferece uma abordagem simplificada para que empresas de menor dimensão possam reportar informações ambientais, sociais e de governança (ESG) de forma estruturada e alinhada às exigências europeias, como a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive). Embora o VSME ESRS seja voluntário, ele pode ser adotado por PMEs que queiram iniciar o processo de compliance ou responder a solicitações de clientes e parceiros na cadeia de valor.

Para muitas PMEs, a sustentabilidade ainda é um desafio, pois não possuem estratégias nem processos claramente definidos para lidar com as exigências regulamentares e do mercado. Isso pode dificultar o atendimento de pedidos de clientes que necessitam de informações relacionadas à cadeia de valor ou a preparação para regulamentações futuras. O VSME ESRS surge como uma ferramenta prática para preencher esta lacuna, permitindo que as empresas comecem a estruturar a recolha e reporte de dados ESG, mesmo sem uma base robusta já estabelecida.

O VSME ESRS cobre os principais âmbitos da sustentabilidade: impacto ambiental, condições sociais e práticas de governança. Algumas métricas e exemplos de KPIs (Indicadores Chave de Desempenho) relevantes incluem:

Ambiental:

  1. Emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) – Toneladas de CO₂ equivalente emitidas diretamente e indiretamente.
  2. Consumo de Energia Renovável – Percentagem de energia utilizada que provém de fontes renováveis.
  3. Gestão de Resíduos – Percentagem de resíduos reciclados versus enviados para aterros.
  4. Consumo de Água – Quantidade total de água consumida em metros cúbicos.
  5. Impacto na Biodiversidade – Número de iniciativas para proteger a biodiversidade em áreas impactadas pela empresa.

Social:

  1. Diversidade de Género – Percentagem de mulheres em posições de liderança e na força de trabalho total.
  2. Formação de Colaboradores – Horas médias de formação por colaborador por ano.
  3. Taxa de Retenção de Talentos – Percentagem de colaboradores que permanecem na empresa por mais de um ano.
  4. Segurança no Trabalho – Número de incidentes ou acidentes por milhão de horas trabalhadas.
  5. Impacto Comunitário – Investimentos em iniciativas comunitárias, como parcerias locais ou doações.

Governança:

  1. Presença de um Código de Ética – Existência de políticas formais de ética e compliance.
  2. Percentagem de Políticas de Risco Implementadas – Número de políticas de gestão de riscos ativas.
  3. Conformidade Regulatória – Número de violações ou sanções recebidas relacionadas a regulamentações.
  4. Transparência nas Remunerações – Publicação de critérios de remuneração para executivos e colaboradores.
  5. Percentagem de Independência do Conselho de Administração – Percentagem de membros independentes no conselho.

O VSME ESRS não facilita apenas o reporte, como serve também como um ponto de partida para a implementação de uma estratégia de sustentabilidade. Ao adotar este modelo, as PMEs podem começar a estabelecer processos internos para recolher e analisar dados ESG, identificar áreas prioritárias para melhoria e alinhar-se com as expetativas de stakeholders e reguladores. É uma ferramenta prática para evoluir de forma gradual, sem a necessidade de uma transformação imediata.

Outro benefício importante do VSME ESRS é a possibilidade de utilização como ferramenta de comunicação com clientes que necessitam de informações sobre a cadeia de valor. Muitas grandes empresas abrangidas pela CSRD exigem que os seus fornecedores forneçam dados ESG. O VSME ESRS ajuda as PMEs a fornecer estas informações de forma estruturada e alinhada aos padrões reconhecidos, fortalecendo relações comerciais e criando oportunidades de colaboração.

O VSME ESRS é um modelo simplificado que permite às PMEs dar os primeiros passos na jornada da sustentabilidade e conformidade, seja para atender obrigações legais diretas ou indiretas, seja para se posicionar de forma mais estratégica no mercado. Adotar este padrão é uma oportunidade para começar a estruturar processos, ganhar experiência no reporte ESG e atender às expectativas de clientes e parceiros, preparando-se para um futuro onde a sustentabilidade será cada vez mais central para o sucesso empresarial.

Publicado originalmente em: https://sustentix.sapo.pt/o-que-e-o-vsme-esrs-e-como-pode-ajudar-a-sua-empresa/